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Mata Atlântica Fragmentada

01/01/2008 - Por Lilian Campana - Foto: Danilo Mota Foto em destaque

No Dia Nacional da Mata Atlântica, uma informação preocupante em relação ao bioma foi externada pela Fundação SOS Mata Atlântica: a fragmentação florestal é um processo extremamente crítico, que agrava a proteção da rica biodiversidade que ele abriga.

Esse foi um dos dados diagnosticados a partir dos levantamentos empreendidos para formatação do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”, estudo que a entidade divulgou, num trabalho concretizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Pelo estudo, a área original do bioma está reduzida a 7,26% de sua cobertura original, ou seja, 97.596 km2. Este número totaliza os fragmentos acima de 100 hectares, ou 1km2, distribuídos em 17.875 polígonos, e têm como base o mapeamento de 98% do bioma Mata Atlântica, em 16 dos 17 Estados onde ocorre (PE, AL, SE, BA, ES, GO, MS, MG, RJ, SP, PR, SC, RS, CE, PR, RN e PI), incluindo dados levantados pela ONG Sociedade Nordestina de Ecologia nos estados do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Apenas o Piauí não teve a área da Mata Atlântica avaliada.

Somando todos os fragmentos acima de 3 hectares, existem hoje na Mata Atlântica 234.106 polígonos, que totalizam 142.472 km2, ou seja, 10,6% de florestas nativas.

“Mais de 25 mil polígonos são menores do que 5 hectares, o que reforça a importância dos esforços na restauração florestal da Mata Atlântica”, explica Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica. “Devido à extrema fragmentação de alguns trechos, principalmente nas regiões interioranas, a interligação entre as florestas nativas torna-se primordial para garantir a proteção da biodiversidade deste bioma”, adverte.

Os dados apresentados para o período de 2000-2005 confirmam a redução de 69% na taxa de desmatamento comparada com o período anterior, de 1995 a 2000. No entanto, o estudo indicou aumento no ritmo de desmatamento nos dois últimos anos, tendência “muito preocupante” na avaliação de Marcia Hirota.

No período de 2000 a 2005, em números absolutos, o estado de Santa Catarina foi campeão de desmatamento, suprimindo 45.530 hectares de Mata Atlântica. Minas Gerais vem em seguida, tendo desmatado 41.349 hectares; a Bahia está em terceiro lugar, desmatando 36.040 hectares. A lista prossegue com Paraná, 28.238 hectares; Mato Grosso do Sul, 10.560 hectares; São Paulo, 4.670 hectares; Goiás, 4.059 hectares; Rio Grande do Sul, 2.975 hectares; Espírito Santo, 778 hectares, e, finalmente, Rio de Janeiro, com 628 hectares.


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